Talvez com um pouco de maestria nossos jogos esquecidos tornem-se finalmente a transcrição das memórias medíocres que clamam por atenção.
Com certa retidão faço das tuas palavras minhas mais sinceras condolências.
O sono que acalma, afugenta a solidão. E ao mesmo tempo torna o plural singular.
Ela não vai ser sua. Ela não vai ceder aos caprichos de um centauro desarmado. Ela não irá sucumbir às garras da princesa dos cabelos rubros. Ela não.
Se você deseja alguma novidade o castelo feito de sonhos talvez tenha algo a dizer.
Se a tua voz conseguir reabrir o portal da excentricidade, talvez o calor dos passos vazios nos ajude a reencontrar a trilha sombria do coração flagelado que não liga para torturas. O coração que só enxerga a sorte do fracasso.
Quando o momento de despedida chegar ao fim, a percepção do que sempre existiu ressurgirá pela calçada íngreme do lado esquerdo. O lado que sempre foi defeituoso, que não aceita desculpas nem respostas.
Em cinco mil anos, nossos ossos usufruirão do prazer de decolar pelas hélices do grande retorno. E nós, no fundo do poço, esperaremos pacientemente a lua reconquistar o que sempre lhe pertenceu.
Escrito no dia 10/06/2015