terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Meu canto é sincero

Já não me lembro quando me dei conta dessa sensação. Esse desejo consome minha carne e eu preciso ter aquilo que anseio.

Se a vida não me ajudar eu terei que desfazer antigas relações. Eu não me importo internamente. Tudo que meu ser anseia é a realização do meu pomar carregado.

Minha plantação até o presente momento encontra-se sobrecarregada de frustrações, tudo que me consome me realiza e me destrói cada vez mais.

Qual foi a maldição irreparável que eu cometi em meus sonhos? Minha vida tornou-se uma sucessão de falsas terapias cognitivas. Tudo que eu tenho não me pertence. Não passam de absurdas sensações de prazer que esmorecem com a brisa.

Eles não merecem possuir meus sonhos, eles não merecem uma única parcela do que possuem. Ladrões de alma merecem o retorno do horror. Ladrões de imaginários merecem tudo aquilo que o nada clama ao empurrar goela abaixo sua podridão.

Meu canto é sincero no mesmo nível da inveja abismal.

Minha voz não liga para os fortes. Minha sombra só precisa de um teto simples, de um par de botas e de um pesadelo para encarar.



Escrito no dia 05/07/2015

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